Mais de 60% dos diretores afirmaram que faltaram livros didáticos para os alunos em 2017

2019-04-30T11:43:05+00:00 26/04/2019|

Um a cada 5 diretores disse ainda que os livros não chegaram em tempo hábil para o início das aulas, mostra análise inédita do Iede dos questionários do Saeb 2017

A falta de livros didáticos para os alunos foi um problema registrado em todas as regiões do Brasil, em 2017: no total, 61,4% dos diretores de escolas públicas disseram que não houve livros em número suficiente para os alunos naquele ano.

Acesse aqui um pdf com os dados dos questionários do Saeb 2017 

Os dados são dos questionários do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2017, tabulados e analisados com exclusividade pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede). Responderam aos questionários 69.676 diretores escolares, 583.416 professores e 5.249.978 alunos.

Em sete estados, o percentual de diretores que reportou falta de livros didáticos ultrapassou 70%. São eles: Rondônia (75,3%),  Mato Grosso (75,3%), Mato Grosso do Sul (75,3%), Distrito Federal (73,2%), Bahia (71,5%), Rio Grande do Norte (70,4%) e Espírito Santo (70,2%).

Segundo Adolfo Ignacio Calderón, professor do programa de pós-graduação em Educação da PUC-Campinas, “tanto a falta de livros didáticos quanto o atraso em sua entrega são alarmantes na medida em que comprometem o trabalho docente”.

“Os dados do SAEB nos levam a problematizar: por quais motivos em sete estados há elevadíssimo percentual de afirmações de falta de livros didáticos? Por que em mais de 50% das regiões do país os diretores reportam que os livros não chegaram em tempo hábil? É importante verificar onde está o problema: é no tempo para seleção dos livros por parte das redes? Na aquisição dos livros pelo MEC? Entre tantos desafios, em termos de gestão da educação, o aprimoramento na aquisição e distribuição dos livros não é algo secundário. Ter insumos adequados é um dos fatores para a eficácia escolar”- Adolfo Calderón, da PUC-Campinas

 

Os diretores também responderam sobre os fatores que mais dificultaram o funcionamento das escolas. Insuficiência de recursos financeiros aparece em primeiro lugar, seguido por indisciplina por parte dos alunos.

Em todas as regiões do Brasil e nas três séries avaliadas, os professores tiveram dificuldade de desenvolver o conteúdo previsto para o ano. Maranhão foi o estado que apresentou, nos anos iniciais e finais do ensino fundamental, os maiores percentuais de professores que relatam não ter conseguido desenvolver todo o conteúdo, com 72,9% e 80,6%, respectivamente.

No 3º do ensino médio, 59,6% dos professores não conseguiram cumprir todo o conteúdo previsto para o ano. Katia Smole, diretora do Mathema e ex-secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), pondera que não é possível olhar para o não cumprimento do currículo previsto sem relacionar com as outras questões presentes no questionário, como é o caso de falta de livro didático. Segundo ela, ainda que o livro não seja o único recurso para ser usado em aula, ele é um poderoso aliado nos processos de organização e planejamento. “Aliemos a ausência do livro com a sobrecarga de trabalho docente e teremos um cenário no qual sobra pouco tempo para selecionar atividades, organizar planos de aula que otimizem o tempo e levem ao ensino dos conceitos e habilidades previstos para um ano”, afirma.
“Ao dar aulas em um determinado ano escolar, é comum que o professor perceba e tente suprir os déficits que identifica em seus alunos, o que termina por interferir no desenvolvimento dos conteúdos esperados. Assim, quando o ano inicia, não há programação anual de ensino que subsista às não aprendizagens identificadas nos alunos, o que fatalmente dificulta o desenvolvimento dos conteúdos selecionados para o período letivo” – Katia Smole, diretora do Mathema
Acesse a seguir todas as análises dos questionários do Saeb 2017: