Folha de S. Paulo: Seca na Amazônia encurta ano escolar de crianças indígenas e prejudica aprendizado

2024-07-08T15:43:09-03:00 08/07/2024|

Em alguns locais, aulas param a partir de outubro devido à dificuldade de acesso

6.jul.2024 às 9h00 – Isabela Palhares

CAREIRO (AM) – O ritmo das águas sempre conduziu a vida de comunidades indígenas na Amazônia. Por isso, a alteração dos ciclos de enchente e vazantes dos rios por eventos climáticos extremos tem causado impactos nas esferas social e econômica desses grupos, com prejuízos na alimentação, na forma de se locomover e até mesmo no tempo para estudar.

Antes um fenômeno natural da vida da região, o período de seca nos últimos anos foi tão prolongado que encurtou o calendário escolar, interrompeu o processo de aprendizagem das crianças e deixou professores dessas escolas sem trabalho e salário por meses.

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Por ter poucos alunos por série, a escola não é elegível para o cálculo do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), principal termômetro da educação básica.

Um levantamento do Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional) sugere que essa é a realidade da maioria das escolas indígenas que ficam na Amazônia Legal. O estudo identificou que nessa região apenas 11% das unidades escolares de zonas rurais têm o Ideb calculado para os anos iniciais do ensino fundamental. E apenas 17% para os anos finais.

“Quase 90% dessas escolas não são avaliadas, o que significa que o poder público não as acompanha. E assim, não sabe quais são as dificuldades enfrentadas para poder formular políticas que as ajude a superá-las”, diz Luana Bunese, coordenadora de projetos do Iede.

O levantamento mostra ainda que o desempenho escolar nessa região é inferior à média nacional. Em 2022, por exemplo, o país tinha 51% de seus estudantes do 5º ano com aprendizado adequado em português. Na Amazônia Legal, essa proporção cai para 37% e chega a 34% para a população indígena.

Leia a reportagem completa no jornal Folha de S.Paulo.