Iede lança Indicador de Permanência Escolar que mostra total de jovens que abandonaram a escola

2021-06-18T12:06:08-03:00 02/06/2021|

Antes mesmo do início da pandemia, em 2019, o Brasil já tinha uma grande dificuldade para manter os jovens na escola. É o que revela o Indicador de Permanência Escolar, um indicador novo, criado pelo Iede, que utiliza os dados do Censo Escolar para mensurar o total de alunos que ingressou no sistema, mas em algum momento de sua trajetória abandonou a escola.

Acesse aqui mais informações sobre o Indicador de Permanência Escolar

A diferença do Indicador de Permanência Escolar para os outros já existentes é que ele contempla o acumulado de jovens que deixaram a escola, independentemente do ano em que isso tenha acontecido. Fornece, assim, um panorama de quantas crianças o País perdeu ao longo do caminho e que tiveram seu direito à Educação negado. Já os indicadores existentes de abandono (quem deixa a escola durante o ano letivo) e evasão (quem conclui um ano, mas não se matricula no seguinte) analisam apenas o ano anterior.

“Com o Indicador de Permanência Escolar, é possível visualizar os dados por Região, Estado e Município, bem como fazer análises pelo nível socioeconômico dos estudantes, por sexo e raça, ajudando na identificação de desigualdades”, explica Ernesto Faria, diretor-fundador do Iede

O Indicador revela, por exemplo, que, em 2019, 20,1% dos jovens de 16-17 anos já tinham abandonado a escola no Maranhão; no Amapá, 16,9%. Esses são os dois estados com os piores índices. Em Santa Catarina, o total é de 10% e 12%, respectivamente. Acesse aqui os cálculos de todos os estados

A diferença também é grande quando se analisa o percentual de municípios, dentro de cada estado, em que há mais de 30% dos jovens fora da escola. No Maranhão, chega a 41%; em Santa Catarina, são 5%.

O indicador mostra grande correlação entre o nível socioeconômico dos alunos e o nível de permanência escolar, enfatizando aquilo que já é bastante discutido: é mais difícil manter os estudantes mais vulneráveis na escola.

A importância do indicador reside no fato também de que os municípios com menor permanência escolar são os municípios com mais dificuldades em várias áreas. Há menos professores com formação adequada, são redes com maiores taxas de reprovação escolar, maior rotatividade do corpo docente, entre outras dificuldades.

Para Ernesto Faria, diretor do Iede, a importância do indicador se dá, principalmente, porque em um cenário de não realização do Censo Demográfico, é preciso ter medidas que orientem a busca ativa.

“O risco de evasão é um dos grandes problemas do contexto atual de pandemia, e precisamos de diagnósticos que nos ajudem a identificar as localidades que necessitam de ainda mais atenção com essa questão”, afirma Faria

“A importância do indicador reside no fato também de que os municípios com menor permanência escolar são os municípios com mais dificuldades em várias áreas. Há menos professores com formação adequada, são redes com maiores taxas de reprovação escolar, maior rotatividade do corpo docente, entre outras dificuldades”, completa.