Iede lança Indicador de Permanência Escolar que mostra total de jovens que abandonaram a escola

2021-08-20T14:30:44-03:00 02/06/2021|

Antes mesmo do início da pandemia, em 2019, o Brasil já tinha uma grande dificuldade para manter os jovens na escola. É o que revela o Indicador de Permanência Escolar, um indicador novo, criado pelo Iede, que utiliza os dados do Censo Escolar para mensurar o total de alunos que ingressou no sistema, mas em algum momento de sua trajetória abandonou a escola.

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A diferença do Indicador de Permanência Escolar para os outros já existentes é que ele contempla o acumulado de jovens que deixaram a escola, independentemente do ano em que isso tenha acontecido. Fornece, assim, um panorama de quantas crianças o País perdeu ao longo do caminho e que tiveram seu direito à Educação negado. Já os indicadores existentes de abandono (quem deixa a escola durante o ano letivo) e evasão (quem conclui um ano, mas não se matricula no seguinte) analisam apenas o ano anterior.

“Com o Indicador de Permanência Escolar, é possível visualizar os dados por Região, Estado e Município, bem como fazer análises pelo nível socioeconômico dos estudantes, por sexo e raça, ajudando na identificação de desigualdades”, explica Ernesto Faria, diretor-fundador do Iede

O Indicador revela, por exemplo, que, em 2019, 20,1% dos jovens de 16-17 anos já tinham abandonado a escola no Maranhão; em Alagoas, 16,9%. Esses são os dois estados com os piores índices. Em Santa Catarina, o total é de 2,2%.  A diferença também é grande quando se analisa o percentual de municípios, dentro de cada estado, em que há mais de 30% dos jovens fora da escola. No Maranhão, chega a 41%; em Santa Catarina, são 5%.

Situação dos Estados (ordenado pelos Estados com o menor percentual de permanência escolar)

Região Estado Percentual de permanência escolar Percentual fora da escola
Nordeste MA 79,90% 20,10%
Nordeste AL 83,10% 16,90%
Norte PA 84,60% 15,40%
Norte RO 84,60% 15,40%
Norte AC 85,30% 14,70%
Norte AP 86,60% 13,40%
Norte 86,70% 13,30%
Nordeste PB 87,20% 12,80%
Nordeste 88,10% 11,90%
Centro-Oeste MS 88,30% 11,70%
Nordeste RN 88,80% 11,20%
Nordeste PE 88,90% 11,10%
Nordeste PI 89,00% 11,00%
Sul RS 89,00% 11,00%
Nordeste SE 89,10% 10,90%
Centro-Oeste MT 89,30% 10,70%
Norte TO 89,40% 10,60%
Sudeste ES 89,50% 10,50%
Nordeste CE 89,80% 10,20%
Norte AM 89,90% 10,10%
Nordeste BA 90,50% 9,50%
Sudeste MG 90,90% 9,10%
Brasil 91,00% 9,00%
Centro-Oeste 91,90% 8,10%
Centro-Oeste GO 92,30% 7,70%
Sul PR 92,80% 7,20%
Sul 93,10% 6,90%
Sudeste 93,30% 6,70%
Norte RR 93,60% 6,40%
Sudeste RJ 93,90% 6,10%
Sudeste SP 94,30% 5,70%
Centro-Oeste DF 97,60% 2,40%
Sul SC 97,80% 2,20%

O indicador mostra grande correlação entre o nível socioeconômico dos alunos e o nível de permanência escolar, enfatizando aquilo que já é bastante discutido: é mais difícil manter os estudantes mais vulneráveis na escola.

A importância do indicador reside no fato também de que os municípios com menor permanência escolar são os municípios com mais dificuldades em várias áreas. Há menos professores com formação adequada, são redes com maiores taxas de reprovação escolar, maior rotatividade do corpo docente, entre outras dificuldades.

Para Ernesto Faria, diretor do Iede, a importância do indicador se dá, principalmente, porque em um cenário de não realização do Censo Demográfico, é preciso ter medidas que orientem a busca ativa.

“O risco de evasão é um dos grandes problemas do contexto atual de pandemia, e precisamos de diagnósticos que nos ajudem a identificar as localidades que necessitam de ainda mais atenção com essa questão”, afirma Faria

“A importância do indicador reside no fato também de que os municípios com menor permanência escolar são os municípios com mais dificuldades em várias áreas. Há menos professores com formação adequada, são redes com maiores taxas de reprovação escolar, maior rotatividade do corpo docente, entre outras dificuldades”, completa.

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