Estudo do Iede mostra desigualdade de aprendizagem entre alunos brancos e pretos

2021-07-16T16:09:32-03:00 16/07/2021|

Em todos os estados brasileiros, é menor o percentual de estudantes pretos com aprendizado adequado em relação ao de brancos de mesma classe social. Racismo estrutural está entre as causas da desigualdade

O Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) tabulou, a pedido da Fundação Lemann, dados sobre a aprendizagem dos estudantes segundo a sua raça/cor. Os números mostram que, em todos os estados brasileiros, independentemente da disciplina avaliada (Língua Portuguesa ou Matemática), tanto no 5° ano como no 9° ano do Ensino Fundamental, há uma diferença expressiva no percentual de estudantes brancos e de estudantes pretos com aprendizado adequado. Os dados foram extraídos do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2019 e estão disponíveis no QEdu Gestão. 

No 5° ano, em Língua Portuguesa, há 65,1% de estudantes brancos com aprendizado adequado; entre os estudantes pretos, o percentual é de 40,3%. Os estados que apresentam as maiores diferenças entre os dois grupos são: Amazonas, Rio Grande do Norte, Roraima e Amapá. No Amazonas, já no 5° ano, estudantes brancos têm desempenho quase 100% superior ao dos alunos pretos (50,8% com aprendizado adequado contra 25,5%).

Em Matemática, o desempenho dos alunos, de forma geral, é pior, mas a diferença por raça persiste: 55,8% dos estudantes brancos têm aprendizado adequado na disciplina contra 31,2% dos estudantes pretos. Em Matemática, além do Amazonas e do Rio Grande do Norte, há diferenças bastante significativas no Rio Grande do Sul, em Mato Grosso, Santa Catarina e na Paraíba. Nesses Estados, a diferença entre brancos e pretos é maior que 70%. 

No 9° ano do Ensino Fundamental, em Língua Portuguesa, os alunos brancos têm desempenho 68,2% superior ao dos pretos (46% com aprendizado adequado contra 27,4%). Em Matemática, nesta etapa, verifica-se a maior desigualdade: 25,8% dos estudantes brancos com aprendizado adequado contra 11,9% dos pretos, uma diferença que chega a 116,4%. 

Nos dois anos avaliados e nas duas disciplinas, há diferenças importantes mesmo quando os alunos pertencem ao mesmo grupo socioeconômico: por exemplo, em Matemática, entre os alunos de nível socioeconômico alto, 34,4% dos brancos têm aprendizado adequado, entre os pretos, 17,3% (diferença de 98,8%). Entre os de baixo, 15,8% contra 8% (diferença de 98%). 

É importante destacar que tais diferenças não têm qualquer relação com a inteligência ou a capacidade de aprender dos estudantes. Ernesto Faria, diretor- fundador do Iede, explica: 

“Há pontos importantes ressaltados por nossa análise e também por vários outros estudos sobre o tema: o primeiro é que as desigualdades raciais não se devem apenas a fatores socioeconômicos. É preciso reconhecer com todas as letras que há sim racismo, há um preconceito incorporado em várias práticas educativas, e isso impacta mais alunos pretos do que pardos.”

Para ele, existe um caminho para mudança e um espaço maior que no passado para o combate ao racismo: “Os professores adotam atitudes que reforçam a desigualdade muitas vezes por pouca reflexão e não de forma intencional. É importante conscientizarmos os educadores dos problemas de nos basearmos em estereótipos nas ações do dia-a-dia e da importância de darmos valor às diferenças”, conclui.

Sobre o QEdu Gestão

Os dados de todos os estados estão disponíveis do QEdu Gestão, nova plataforma do portfólio QEdu. Nela, cada usuário, após se cadastrar e obter login e senha junto ao Iede, pode inserir dados próprios de suas redes, sejam de avaliações ou questionários. Os usuários podem optar por deixar seus dados privados, com acesso restrito apenas aos profissionais com a senha, ou torná-los públicos. Assista aqui a um vídeo curto e saiba mais sobre a plataforma mais