Iede e CTE-IRB realizam pesquisa sobre permanência escolar na pandemia

2021-06-02T12:06:55-03:00 21/05/2021|

O Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), o Comitê Técnico da Educação do Instituto Rui Barbosa (CTE-IRB) e os Tribunais de Contas brasileiros se uniram para a realização da pesquisa “Permanência Escolar na Pandemia”, que visa mapear a permanência dos estudantes nas redes municipais e estaduais neste momento.

Sabe-se que o abandono (estudantes que deixam a escola durante o ano letivo) e a evasão (aqueles que concluem o ano, mas não se matriculam no seguinte) são duas grandes preocupações do atual contexto. O relatório “Planejamento das redes de ensino para a volta às aulas presenciais: saúde, permanência e aprendizado”, feito pelo Iede também em parceria com o CTE-IRB e os Tribunais de Contas, mostrou que, de 6 grandes temas analisados, o risco de abandono e evasão foi classificado como ponto crítico.

A pesquisa qualitativa foi realizada de forma amostral, por meio de entrevistas, por telefone, com 20 redes de ensino, sendo 16 municipais e 4 estaduais. Segundo a publicação, de agosto de 2020, “a maioria das redes informa ter ciência de quais são os grupos mais vulneráveis e com maior propensão a deixar a escola, entretanto, são raras as secretarias com ações consolidadas na temática e que assumem o protagonismo na busca ativa dos estudantes. Em geral, designam aos gestores escolares e professores a maior parte da responsabilidade no quesito.”

Já uma pesquisa do Conselho Nacional de Juventude, o Conjuve, feita com 33.688 jovens de 15 a 29 anos e divulgada em junho de 2020, revelou que 28% deles não pensavam em retornar os estudos quando a pandemia acabasse.

“A pandemia, com todos os seus desafios e restrições, trouxe um risco massivo dos alunos deixarem o sistema escolar. É urgente um acompanhamento próximo para a adoção de ações de busca ativa”, afirma Ernesto Faria, diretor-fundador do Iede, sobre a importância do estudo. Ele ressalta também a necessidade de identificar municípios com boas práticas nessa temática, que possam servir de inspiração a outras redes.

O presidente do CTE-IRB, Cezar Miola, por sua vez, destaca que o levantamento das informações será importante para subsidiar a atuação dos Tribunais de Contas de cada Estado, de forma que eles também possam contribuir para a permanência das crianças e jovens na escola.

O projeto prevê a aplicação de questionários on-line a uma amostra de redes públicas de ensino, além de entrevistas complementares. A expectativa é que os resultados sejam divulgados em agosto.

A iniciativa tem o apoio da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas (Atricon), da Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom), Conselho Nacional de Presidentes dos Tribunais de Contas (CNPT), Associação Nacional dos Ministros e Conselheiros Substitutos dos Tribunais de Contas (Audicon), Associação Nacional do Ministério Público de Contas (Ampcon) e Rede Indicon (Rede Nacional de Indicadores Públicos).

Parceria – Esse é o quarto projeto feito pelo Iede e o CTE-IRB. O primeiro foi a realização do estudo “Educação que Faz a Diferença”, que identificou 118 redes municipais com bons resultados no Ensino Fundamental e que também cumpriam requisitos mínimos de qualidade na educação infantil. Na sequência, vieram os estudos “A Educação Não Pode Esperar”, que trouxe um mapeamento das ações adotadas pelas redes de ensino durante o período de pandemia. Foram mapeados aspectos como oferta de conteúdos pedagógicos de forma remota, ferramentas e estratégias utilizadas, suporte e formação de professores, distribuição de alimentos aos estudantes e orientação às famílias.

Por fim, o já citado relatório “Planejamento das redes de ensino para a volta às aulas presenciais: saúde, permanência e aprendizado”.
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