Ao menos um a cada dez alunos do 9º ano está em risco de evasão, revela estudo do Iede e CTE-IRB

2021-11-26T18:14:38-02:00 25/11/2021|

Pesquisa “Permanência Escolar na Pandemia” traz um panorama da adesão dos estudantes às atividades remotas durante o período de crise sanitária

O estudo “Permanência Escolar na Pandemia”, feito pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) e o Comitê Técnico da Educação do Instituto Rui Barbosa (CTE-IRB), em parceria com os Tribunais de Contas, revela que, no 5º ano do Ensino Fundamental, a média de participação dos estudantes das redes municipais em aulas on-line e, ou, entregando as atividades propostas pelas escolas foi de 92,5%, e no 9º ano, 90,1%. O estudo foi divulgado nesta quinta-feira (25) durante webinário transmitido pelo Youtube do Iede, que contou com a participação das secretárias de Educação de Nova Brasilândia D’Oeste (RO), Maria Rezende, e de Lucas do Rio Verde (MT), Elaine Lovatel, além de representantes dos Tribunais de Contas de Rondônia e São Paulo.

Acesse aqui o estudo completo

É preciso analisar os dados do estudo lembrando que, antes da pandemia, o acesso de crianças e adolescentes de 6 a 14 anos à escola estava praticamente universalizado. Em 2019, de acordo com o Anuário Brasileiro da Educação Básica, do Todos pela Educação, 98% da população nessa faixa etária estava matriculada em alguma unidade de ensino. Por isso, observar que um a cada dez alunos do 9º ano não fez atividades escolares durante a pandemia é um grande alerta, que exige ações para que esses números não se convertam em casos de abandono ou evasão escolares. Mesmo no 5º ano, o índice é preocupante, já que 7,5% das crianças não tiveram contato frequente com as escolas.

“O estudo mostra que temos um desafio muito grande. Crianças de 10, 11 anos, por exemplo, tiveram a aprendizagem comprometida pela ausência de atividades escolares. E isso após um ano de pandemia, quando a estrutura das redes já era bem melhor do que no início. Por isso, é fundamental avançarmos nas ações de monitoramento, de acompanhamento e de busca ativa”, afirma Ernesto Faria, diretor do Iede e um dos coordenadores do estudo.

O levantamento evidenciou as desigualdades regionais, mostrando que nem todos os municípios tiveram as mesmas condições de monitorar os estudantes e assegurar que mantivesse o vínculo com a escola. A região Nordeste é a que apresenta a situação mais complicada: são pelo menos 16% dos alunos do 9º ano, das redes municipais, em risco de evasão (a taxa média de participação na etapa foi de 84,4%). No 5º ano, 12% dos alunos não tiveram contato frequente com as escolas (taxa média de participação de 88%). Esses são os índices mais baixos dentre as cinco regiões do País.

A região Sul apresentou as médias mais altas de participação dos estudantes: 96,2% para o 5º ano, e 93,8% para o 9º ano. Ainda assim, novamente, é relevante ressaltar que esse número não é bom. Antes do início da pandemia, 98,2% da população entre 6 e 14 anos estava matriculada no Ensino Fundamental.

Boas práticas de gestão de dados e de busca ativa

A pesquisa foi feita a partir do envio de um questionário a uma amostra com mais de 1,2 mil redes de ensino de todas as regiões. Em uma segunda etapa, as secretarias de Educação deveriam enviar documentos que comprovassem as informações fornecidas e o monitoramento de participação dos alunos na pandemia. Os técnicos dos Tribunais de Contas foram os responsáveis pela checagem e validação dos dados e documentos.

Além de trazer informações sobre a adesão dos estudantes às aulas on-line e às atividades de ensino propostas, a pesquisa também buscou identificar boas práticas de engajamento e de busca ativa e redes com uma sistemática consistente e detalhada de controle da frequência dos alunos. Isso ocorreu pois se verificou, ao longo do trabalho, uma dificuldade das redes de ensino em relação à coleta e gestão de dados de seus estudantes.

Por essa razão, 11 secretarias de Educação que apresentam boa gestão dos dados dos estudantes foram selecionadas e entrevistadas pelos pesquisadores. Entre as práticas adotadas por elas estão a criação de planilhas on-line de controle da participação dos alunos, preenchidas pelos gestores escolares; formação com os professores; contato frequente com as famílias por meio do WhatsApp; disponibilização de atividades impressas aos estudantes sem internet ou sem os equipamentos necessários, e com coleta da assinatura dos responsáveis no momento da entrega desses materiais; e envio de materiais às casas dos alunos com mais dificuldade de acesso à escola, usando, para isso, um carro da própria Secretaria de Educação.

O presidente do CTE-IRB, Cezar Miola, ressalta que a gestão dos dados escolares é fundamental para o efetivo acompanhamento dos estudantes que perderam o vínculo com a escola: “É preciso identificar e localizar as crianças e adolescentes que abandonaram a escola ou que não conseguiram se manter aprendendo em casa durante a pandemia e adotar medidas para que eles tenham o seu direito à educação garantido.”