Nova Escola: Educação Básica: 21,6% dos professores não possuem superior completo

2018-02-22T12:02:43+00:00 01/02/2018|

No Ensino Médio, as disciplinas mais afetadas pela falta de professores com formação são Física, Língua Estrangeira e Química. No Fundamental, a lacuna está em Matemática

Por: Laís Semis

De acordo com Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) 2016, 99,2% da população de 6 a 14 anos frequentam escola. Não é o melhor dos mundos, mas não é o mais preocupante, na visão do Ministério da Educação (MEC). “Hoje o desafio do Brasil está menos no acesso à escola. A maior preocupação é melhorar em qualidade”, diz Rossieli Soares, secretário de Educação Básica do MEC. A avaliação do secretário foi feita durante a divulgação dos dados do Censo Escolar 2017 que aconteceu no último dia 31.

Um desses desafios passa diretamente pela formação de professores. A Meta 15 do Plano Nacional de Educação (PNE) prevê que todos os docentes da Educação Básica possuam formação específica de nível superior, em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam. De acordo com o Censo Escolar, apenas 78,4% deles se encaixam no requisito. Dessa cifra, 4,2% não possuem licenciatura, apenas bacharelado (veja nos gráficos abaixo quais são as disciplinas mais afetadas pela falta de formação adequada).

“A meta de formação adequada de professores tem um princípio bom, mas ela já nasceu não batida”, considera Ernesto Martins Faria, diretor-executivo do Portal Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede). Para ele, é pouco razoável imaginar que em 10 anos o Brasil conseguirá garantir formação adequada em todas as áreas. “Embora seja um aspecto básico que deveria ser garantido, existem questões estruturantes de desafio, como poucos professores formados em Exatas”, avalia. Ernesto explica que não se trata apenas do quantitativo geral, mas também de distribuição de formação no Brasil – que é mais grave em determinadas regiões do país. “É muito difícil imaginar que esse ciclo possa ser rompido num pequeno período de tempo, sem programas muito intencionais e de incentivo às áreas com formações mais deficitárias”, analisa o diretor-executivo do Iede. “Se um grande trabalho for feito nesse sentido, essa escassez tende a ser minimizada num período de 10 a 20 anos”.

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